O mercado de imóveis de alto padrão e luxo em São Paulo perdeu força em 2026: as vendas do segmento caíram 39% no primeiro semestre frente ao mesmo período de 2025, e os lançamentos recuaram ainda mais, 53%. Segundo Fábio Tadeu Araújo, presidente da Brain Inteligência Estratégica, "o mercado chegou a um topo — a partir daí, não tem como crescer mais". A explicação combina excesso de oferta (as incorporadoras dobraram os lançamentos em cinco anos, enquanto o público comprador de alta renda é naturalmente limitado), juros ainda elevados e incerteza macroeconômica.
Enquanto isso, o interior de Santa Catarina caminha na direção oposta. Blumenau, sem litoral nem status turístico, acumula alta de 9,60% no m² residencial em 12 meses — mais que o dobro da valorização das praças mais caras do país — justamente porque ainda não chegou no ponto de saturação que SP já mostra. Em Chapecó, marcas de alto padrão seguem escolhendo a cidade pra lançar projetos inéditos, respaldadas por estudos que apontam crescimento econômico e demográfico consistente, não hype passageiro.
O próprio estudo da Brain aponta um detalhe importante pra quem pensa em investir: no alto padrão, a decisão de compra hoje está menos ligada à necessidade de financiamento e mais à percepção de oportunidade. Com a Selic em trajetória de queda — já em 13,75% ao ano, quinto corte seguido —, o comprador de renda mais alta passa a comparar preços e perceber que pode haver menos espaço pra negociar no futuro, o que favorece quem decide agora, principalmente em praças que ainda não estão saturadas de oferta como São Paulo.
O recado é direto pra quem olha o médio e o alto padrão fora do eixo litorâneo saturado: cidades catarinenses de economia diversificada e ainda com oferta limitada nesse segmento reúnem exatamente o cenário oposto ao de SP — demanda real crescendo, sem o excesso de lançamentos que já travou a valorização na capital paulista.