Santa Catarina virou o 2º maior polo de tecnologia do Brasil, com 102,2 mil vagas formais no setor, alta de 1,8% no último ano e uma fatia de 8,53% de todo o emprego tech do país. O salário médio da área já é de R$ 6.195 — o dobro do pago no comércio catarinense — e o setor sozinho já responde por 8% do PIB do estado, com R$ 47,9 bilhões em receita (+12,7% no ano). É gente qualificada, bem remunerada, chegando de fora pra ocupar vaga que exige formação específica — e junto com o emprego vem a decisão de onde morar.
Esse movimento já aparece nos números do mercado imobiliário. O Índice de Demanda Imobiliária (IDI Brasil) do 1º trimestre de 2026 mostra Balneário Piçarras na 41ª posição nacional — a cidade catarinense mais bem colocada —, à frente de Itapema (51ª) e Balneário Camboriú (60ª). O índice mede intenção real de compra em imóveis acima de R$ 811 mil, por compradores com renda superior a R$ 24 mil/mês. O perfil: 35 a 60 anos, vindo de SC, PR, RS e Centro-Oeste, muitos já donos de outro imóvel. E o mais relevante pra quem vende: segundo especialistas do setor, a segunda residência de veraneio segue forte, mas moradia definitiva e investimento vêm ganhando espaço de forma consistente — puxados por trabalho remoto e pela melhoria da infraestrutura regional.
O fenômeno não é só litorâneo. Em Chapecó, motor do agronegócio do Oeste catarinense, o Balcão de Empregos do município mantém entre 800 e 1.300 vagas abertas por semana, com 1.474 posições em 166 empresas só na leitura mais recente — boa parte pedindo formação em engenharia de alimentos, medicina veterinária, zootecnia e engenharia de produção. Em 2025, a cidade fechou com saldo positivo de 2.844 empregos formais, entre as cinco cidades que mais geraram vagas em Santa Catarina.
É a mesma lógica que já vínhamos acompanhando por aqui: o crescimento da população de renda acima de R$ 15 mil/mês em Chapecó gerou uma demanda por alto padrão que o mercado ainda está absorvendo — hoje, 78% do estoque lançado é vendido em até 90 dias. Profissional qualificado que chega pra ocupar vaga boa não aluga pra sempre: em algum momento, decide comprar. E cada vez mais essa decisão está mirando o médio e o alto padrão.