Amanhã, domingo, é o 1º turno — e a disputa está mais apertada do que qualquer eleição recente: pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada em 29/09, mostra Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula num eventual 2º turno (25/10). O mercado já precifica essa indefinição: o dólar abriu outubro em alta, cotado a R$ 5,189, e a volatilidade cambial está na máxima do ano eleitoral — reflexo direto da disputa acirrada entre os dois turnos e do apetite por risco mais contido entre investidores.
No mercado imobiliário, o efeito tem nome: "wait and see" — esperar pra ver. Pesquisas mostram que 35% dos brasileiros cogitam antecipar ou adiar a compra de um imóvel por causa da eleição, e 48% dizem sentir insegurança em assumir um financiamento de longo prazo nesse cenário. Mas o dado que importa é outro: 51% afirmam que a eleição presidencial não muda seu plano de comprar, e o litoral catarinense segue de pé, atraindo investidores de fora do estado independentemente do ciclo político nacional — o que mudou, em boa parte dos casos, foi só o timing da decisão, não o interesse.
Isso tem explicação estrutural: os pilares do mercado imobiliário brasileiro são de Estado, não de governo — Lei do Inquilinato, alienação fiduciária, patrimônio de afetação e programas habitacionais atravessam trocas de presidente sem desaparecer. Desde o Plano Real, o setor já passou por sete eleições presidenciais sem colapsar uma vez sequer.
E é aqui que Chapecó se destaca ainda mais que a média: diferente de mercados mais expostos a capital especulativo e sazonalidade turística, a cidade sustenta demanda real e constante — puxada por uma economia agroindustrial diversificada, o melhor índice de sobrevivência empresarial entre as seis maiores cidades de SC (2,4 empresas abertas pra cada 1 fechada, contra média estadual de 1,8) e a maior taxa de investimento público do Sul do Brasil entre cidades com mais de 100 mil habitantes (19,4%). Esse tripé — economia diversificada, crescimento populacional constante e investimento público robusto — é exatamente o que torna Chapecó menos sensível às intempéries de mercado, eleição incluída, do que praças que dependem mais de capital especulativo e humor de curto prazo.