O resultado do 1º turno (Flávio Bolsonaro com cerca de 47,1% dos votos válidos, contra 45,1% de Lula) surpreendeu positivamente o mercado — e o efeito já aparece na curva de juros. Segundo o Boletim Focus, a projeção de Selic pro fim de 2026 segue em 13,50% ao ano pela segunda semana seguida, com expectativa de 12% em 2027. O motivo: os investidores reduziram o prêmio de risco que vinham embutindo nas taxas, diante da leitura de que o resultado abre espaço pra um ajuste fiscal mais responsável no próximo governo.
Na prática, os juros longos — os que mais pesam no financiamento de imóvel — podem recuar entre 1,5 e 2,5 pontos percentuais até o fim de 2027, saindo da casa de 12,7% pra uma faixa entre 10,9% e 11,5%, segundo analistas ouvidos pela imprensa. O benefício tende a chegar ao crédito imobiliário, capital de giro, construção e crédito rural num horizonte de 3 a 6 meses.
Vale um alerta pra não superestimar o efeito: queda de Selic não significa corte proporcional nas taxas de financiamento — spread bancário, risco de crédito e outros fatores também entram na conta. Ainda assim, a direção é clara, e ela se soma a outra mudança recente que já favorece quem financia médio e alto padrão: o teto do SFH, que subiu pra R$ 2,25 milhões em 2026, abrindo juro protegido e FGTS pra uma faixa de imóvel que antes só tinha acesso a taxas de mercado livre.
Juntando as duas pontas — teto de financiamento mais alto e juros longos em trajetória de queda —, o cenário pra quem pensa em financiar um imóvel de padrão mais alto fica mais favorável do que estava há poucos meses. Vale simular agora: condições assim tendem a se consolidar aos poucos, não da noite pro dia.