O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (16), levando a taxa básica de juros de 14% para 13,75% ao ano — o quinto corte consecutivo do Banco Central. A decisão já era esperada pelo mercado, que vinha precificando exatamente esse movimento desde o Boletim Focus da segunda-feira, e foi puxada em parte pela trajetória recente da inflação: o IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto, acumulando alta de 4,22% em 12 meses.
O efeito no financiamento imobiliário, porém, não é automático. Boa parte do crédito habitacional usa recursos da poupança via SBPE, que tem regras próprias de captação — por isso um corte isolado de 0,25 p.p. tende a ter impacto limitado de imediato. Segundo Alex Sales, fundador da Alumbra Empreendimentos, "os segmentos de construção e incorporação respondem aos juros por múltiplos canais ao mesmo tempo, como custo de capital, financiamento de obra, crédito hipotecário e decisão de investidores". Já André Caruso, CEO da Pilar Capital, explica que o efeito chega em etapas: primeiro nas curvas de juros e no custo de novos funding, depois na operação das empresas, e só depois no bolso do consumidor final.
As faixas de imóvel sentem esse movimento de forma diferente. Quem financia pelo Minha Casa Minha Vida (R$ 275 mil a R$ 600 mil) é praticamente imune, porque usa taxas subsidiadas. Já na faixa entre R$ 600 mil e R$ 2,25 milhões — justamente o teto do SFH que subiu recentemente —, o efeito tende a ser mais sentido, sobretudo via Taxa Referencial (TR), usada pra reajustar as parcelas ao longo do contrato.
Pra quem acompanha o mercado de perto, a leitura é positiva: são cinco reduções seguidas, uma tendência clara de queda que, mesmo com defasagem, tende a melhorar as condições de crédito nos próximos meses. Com a construção civil aquecida em Santa Catarina e cidades como Chapecó batendo recorde de lançamentos, cada corte de juros é mais um fator a favor de quem está planejando comprar, vender ou investir.